O «Seareiro»
Muito cedo se deixou cativar por uma cultura humanista revelada nas páginas da Revista "Seara Nova" em critícas e contos de fino recorte, assinados simplesmente por António Carlos, nome literário que adoptara.
Seria assim, no meio intelectual dos "seareiros", que Ferreira Soares ganharia pouco a pouco, a consciência social que ele mesmo denunciava: «foi a «Seara» que despertou e orientou o meu interesse pelos negócios do espirito e me defendeu de encantamento pelos turvadores de «águas pouco potáveis».
Homem de ideias claras e firme determinação, aliando sempre a sua actividade revolucion´ria ao trabbalho clinico, sendo amado e respeitado por todos. Escreveu coisas muito lindas que íam no seu nobre coração, muitas delas lidas ao povo no Atneu de Nogueira da Regedoura.
Quem com ele teve o privilégio de privar, guarda uma legenda alegre que se poderia traduzir assim: «era um pequenito com quem valia a pena brincar». Era de facto, um homem que brincava. Mesmo em condições de angústia pessoal e de terror colectivo, ele brincava. Com as crianças. Com os poetas. Ria às gargalhadas, principalmente do Poder.
Tocava viola e cantava nas romarias em que ia com o povo. Não para converter, mas porque já estava convertido.
Foi no povo de Nogueira da Regedoura que encontrou a companheira amada de quem teve os filhos que tanto amou. E ele, o povo de Nogueira da regedoura e arredores,há-de voltar a fazer coro com o médico/clinico/militante como quem vai à romaria da Senhora da Saúde. Com a viola ramaldeira, a cantar a Rosa Tirana. E com um cravo companheiro atrás da orelha.
É óbvio que a sua acção dinamizadora não passava despercebida aos olhos da Policia de Vigilância e Defesa do Estado.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
sábado, 23 de janeiro de 2010
Perseguições e Assassinato a Dr. Ferreira Soares = Parte II
Perseguição a Fereira Soares
Sentindo-se fortemente perseguido entra em 1936 na clandestinidade,começa nas noites invernosas e frias a ser agasalhado em casas de pessoas amigas e, de quando em vez, na «Japoneira do Cemitério de Nogueira» quando era necessário inverter as movimentações suspeitas de «elementos estranhos à àrea»
Decorria o ano de 1940, veio viver para Pousadela um outro Doutor também da oposição ao regime, eram frequentes os encontros entre ele e o Doutor Carlos, após o Assassinato, valeu-lhe o Lima ter informado o João, para que abandonasse a fregueia, de contrário seria preso, porque a PVDE mais tarde PIDE, lhe estava a mover uma apertada perseguição.
» = Decorria o ano de 1940, um carro preto com dois ocupantes, que o imobilizam frente à Barbearia do António de Oliveira Belinha, um dos polícias abriu a porta e sem cumprimentar, questionou o barbeiro quanto ao Doutor.
Na cadeira estava sentado o Jovem Médico, militante do Partido Comunista Portugês, cuja captura era pretendida. O Doutor , tinha o tronco coberto por uma capa, e a face ensaboada, pronta a ser escanhoada.
O Belinha teve presença de espirito.
Era deveras arriscado dizer que não avistara o médico, os agentes talvez estivessem informados de que ele fora visto a entrar no estabelecimento.
Respondeu-lhe:- Saíu daqui mesmo há pouco. Quando lhe perguntaram onde ficava a casa, ele prontamente indicou onde se situava a casa do clínico.
Sem agradecimento nem despedida, os policias arranacaram.
Assim escapou Ferreira Soares por unha negra.
»» = Talvez por ironia do destino, foi nesta Barbearia, estando na altura sentado o Sr. Belinha então com 17 anos pronto para cortar o cabelo, quando o Doutor entrou e se dirigiu ao Belinha, dizendo-lhe que iria atender uma Doente, foi por trás e não demorou muito tempo a que tivesse chegado a notícia que ele tinha sido ferido.
««« E é assim que no dia 4 de Julho de 1942 é armada uma diabólica cilada a Ferreira Soares, na figura de uma falsa doente que lhe apresenta, acompanhada de um homem, no consultório que mantinha em casa.
Foram catorze balas que lhe ceifaram a vida cerca das onze horas da manhã, tendo então trinta e nove anos de idade.
Transportado pela PIDE à Casa de Saúde Dr. Gomes de Almeida em Espinho, «o médico dos pobres»- como era chamado- chegou já cadáver. Vilmente assassinado, António Carlos de Carvalho Ferreira Soares, médico, humanista, etnógrafo, critico, cronista e destacado membro do Comité Regional do Douro do Partido Comunista Português, ergue-se como justo exemplo de sacrificio e luta, de despojamento e dignidade.
Foi num sabado dia 4 de Julho de 1942, data que ocorreu o vil assassinato.
» = O Primeiro é um extracto e com a devida Vênia "Dormindo no Cemitério"
»» = Segunda vez no Barbeiro, testemunho do próprio Senhor Belinha hoje com 85 anos.
»»»» = Recolha da Comissão de Freguesia do P.C.P. de Nogueira da Regedoura 1975
Especialista em doênças Pulmonares!....
Tinha pouco mais da catorze anos, e em cada dia emagrecia mais, o seu pai preocupado falou com o Doutor e marcaram-lhe uma consulta. Depois de o auscultar, receitou-lhe uma garrafa de figado de óleo de bacalhau. Perguntou-lhe se era necessário mais alguma coisa: Tornou-lhe por resposta:- Ou paras com essa brincadeira de te mastrubares-te exegaeradamente, ou então vou dizer ao teu Pai.
Parou com os exegeros e recuperou a olhos vistos.
Sentindo-se fortemente perseguido entra em 1936 na clandestinidade,começa nas noites invernosas e frias a ser agasalhado em casas de pessoas amigas e, de quando em vez, na «Japoneira do Cemitério de Nogueira» quando era necessário inverter as movimentações suspeitas de «elementos estranhos à àrea»
Os Barbeiros e a PIDE
O Doutor Carlos tinha dois Barbeiros, que ambos nutriam por ele um enorme respeito,amizade e lealdade.Decorria o ano de 1940, veio viver para Pousadela um outro Doutor também da oposição ao regime, eram frequentes os encontros entre ele e o Doutor Carlos, após o Assassinato, valeu-lhe o Lima ter informado o João, para que abandonasse a fregueia, de contrário seria preso, porque a PVDE mais tarde PIDE, lhe estava a mover uma apertada perseguição.
» = Decorria o ano de 1940, um carro preto com dois ocupantes, que o imobilizam frente à Barbearia do António de Oliveira Belinha, um dos polícias abriu a porta e sem cumprimentar, questionou o barbeiro quanto ao Doutor.
Na cadeira estava sentado o Jovem Médico, militante do Partido Comunista Portugês, cuja captura era pretendida. O Doutor , tinha o tronco coberto por uma capa, e a face ensaboada, pronta a ser escanhoada.
O Belinha teve presença de espirito.
Era deveras arriscado dizer que não avistara o médico, os agentes talvez estivessem informados de que ele fora visto a entrar no estabelecimento.
Respondeu-lhe:- Saíu daqui mesmo há pouco. Quando lhe perguntaram onde ficava a casa, ele prontamente indicou onde se situava a casa do clínico.
Sem agradecimento nem despedida, os policias arranacaram.
Assim escapou Ferreira Soares por unha negra.
»» = Talvez por ironia do destino, foi nesta Barbearia, estando na altura sentado o Sr. Belinha então com 17 anos pronto para cortar o cabelo, quando o Doutor entrou e se dirigiu ao Belinha, dizendo-lhe que iria atender uma Doente, foi por trás e não demorou muito tempo a que tivesse chegado a notícia que ele tinha sido ferido.
««« E é assim que no dia 4 de Julho de 1942 é armada uma diabólica cilada a Ferreira Soares, na figura de uma falsa doente que lhe apresenta, acompanhada de um homem, no consultório que mantinha em casa.
Foram catorze balas que lhe ceifaram a vida cerca das onze horas da manhã, tendo então trinta e nove anos de idade.
Transportado pela PIDE à Casa de Saúde Dr. Gomes de Almeida em Espinho, «o médico dos pobres»- como era chamado- chegou já cadáver. Vilmente assassinado, António Carlos de Carvalho Ferreira Soares, médico, humanista, etnógrafo, critico, cronista e destacado membro do Comité Regional do Douro do Partido Comunista Português, ergue-se como justo exemplo de sacrificio e luta, de despojamento e dignidade.
Foi num sabado dia 4 de Julho de 1942, data que ocorreu o vil assassinato.
» = O Primeiro é um extracto e com a devida Vênia "Dormindo no Cemitério"
»» = Segunda vez no Barbeiro, testemunho do próprio Senhor Belinha hoje com 85 anos.
»»»» = Recolha da Comissão de Freguesia do P.C.P. de Nogueira da Regedoura 1975
Especialista em doênças Pulmonares!....
Tinha pouco mais da catorze anos, e em cada dia emagrecia mais, o seu pai preocupado falou com o Doutor e marcaram-lhe uma consulta. Depois de o auscultar, receitou-lhe uma garrafa de figado de óleo de bacalhau. Perguntou-lhe se era necessário mais alguma coisa: Tornou-lhe por resposta:- Ou paras com essa brincadeira de te mastrubares-te exegaeradamente, ou então vou dizer ao teu Pai.
Parou com os exegeros e recuperou a olhos vistos.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Terras Rio e Mar = Junta de Freguesia de Nogueira da Regedoura = DOUTOR Vai Uma de Viola = Memórias
Doutor Carlos e as Três Meninas
O meu grato reconhecimento à dona Clementina Ferreira Cadinha
Infelizmente, e no momento em que escrevo este testemunho, já não lhe o vou poder mostrar, como lhe tinha prometido, porque a perda de memória, dela nos atraiçoou.
Não decorreu muito tempo, mas lamentávelmente o sufuciente, para que tal viesse a aconter. Mas, como só se morre, quando deixamos de estar no coração de alguém. Fica a qui a intênção, e meu obrigado, a esta ilustre Senhora, que em tempo algum deixou de cantarolar os versos que decorou e a sua ligação ao Doutor Carlos, que prontamente se disponibilizou a dar-mos a conhecer, bem como o esse seu testemunho, mesmo que sabendo que nem o Dr. Carlos nem eu eramos, do Partido que ela pensava ser o melhor.
Dona Clementina disse.- Eramos três meninas que normalmente andavamos juntas; Quando viamos o Doutor montado no seu Cavalo, só se, não podessemos. é que não fugiamos, pois ele gostava de brincar, fazendo de conta que o animal nos ía atacar e nós tinhamos medo. Um dia estavamos as três e não nos apercebemos dele, quando demos fé, ele estava junto a nós.
Desceu do cavalo e disse:- Vocês são três lindas meninas,dirigindo-se à Maria do Costinha, Maria tu tens uns olhos muito lindos. És muito Bonita. Voltando-se para a Celeste do Gaspar:- Celeste, tens um Pucho maravilhoso, e que te fica muito bem, e te faz muito bonita. Finalmente virou-se para mim:- E tu Clementina; tens uma gargante de ouro, adoro-te ouvir cantar.
Estaria ele longe de imaginar, que durante mais de sessenta anos eu cantaria em todo o lado o Fado da Japoneira em sua homenagem a ele, e que agora te dou uma cópia e fico com outra.
Faz dela o que quizeres. Ele era um Santo.
Sabes o Doutor foi assassinado num sabado e no Domingo os sinos de luto não tocaram. Toda a gente estava muito doente pelo que tinham feito ao Doutor.
Vivia nas Alminhas (onde agora está o Monumento) a Maria da Vitória que era vúva, também a Ti Albertina de Avintes que fazia de parteira, colaboravam com o Doutor, ela foi mesmo parteira de muita gente, quando ele não podia vir por causa da PIDE. Ela foi parteira de muitas mulheres. Várias vezes foi interrogada, mas disse sempre que não sabia nada.
A mesma resposta dava o Bernardino que levava o correio ao sitio combinado e depois o Doutor vinha lá buscá-lo.
O Joaquim Oliveira Silva, filho do Ti Nicolau, levava pão frito, que lhe mandava a Irmã Inês Ferreira Soares e deixava nos Moinhos da Gaiteira que o Doutor depois lá vinha comer, ou então lhe íam levar.
Os moinhos pertenciam aos do Fome.
Fernando Fome e Ti Maria Olinda, ali ficava a comida que o Doutor depois vinha buscar.
Fernando Fome e Ti Isaura Costureira, filha do Ti Nicolau, colaboravam e quando alguém precisava dos serviços do Doutor vinham procurá-los, e eles depois lhe comunicavam , depois lá se deslocava ás suas casas.
Também o Jpoaquim Pexista que tinha a sua garagem de bicicletas ali junto á casa do Alvaro Madeireiro, conhecia todos os movimento, e se algum fosse estranho, mandava a mulher avisar o Doutor.
Os versos do Fado da Japoneira foram- lhes dados pelo professor Manuel de Oliveira Marques que os escreveu, que deu aulas em Nogueira da Regedoura e também em Espinho. Vive em Espinho, escreveu outras coisas respeitantes a Ferreira Soares e Joaquim Domingues Maia, mas infelizmente a doênça também lhe atraiçoou a memória, motivado por isso, um dia acabou por queimar os seus escritos.
Hoje não é possivel recuperar esse espólio.
A Esposa que até tem um livro publicado, a esposa sabia onde ele guardava os papeis, mas quando foi procurá-los já tinham sido queimados. Fica o registo.
Resta-me acrescentar:-
Foi uma honra, ter ouvido a Dona Clementina, e ter ficado contaminado pelo sentir do carinho e amor que ela durante uma vida nutriu pelo Doutor.
Este Joaquim Oliveira Silva, filho do Ti Nicolau, casado com a Luciana, "daí que mais tarde tenha herdado o apelido de Luciana aquela que abriu a Loja, onde hoje está implantada a Japoneira. que teve a mercearia nos altos Céus, onde hoje é o café Cá te Espero, chegou a ser fortemente espacando pela PIDE, para descobrir onde se encontrava escondido o Doutor, mas suportou sem abrir a boca.
Manteve toda a vida a sua opsição ao regime..
Este testemunho foi ainda me confirmado nomes pelo Senhor Belinha.
Que me disse ainda:- O Pai do Dr. Carlos sempre se deslocava a pé e vice-versa de Nogueira à estação de S. Paio de Oleiros, onde naquele tempo o caminhho era difícil e daí apanhava o comboi para a Vila da Feira.
A familia de Ferreira Soares teve um Cavalo Preto o Neptuno, que morreu depois de lhe terem dado muito milho e depois àgua acabou por inchar e morrer. Foi transportado num carro de bóis e, sepultado à entrada da Quinta, onde hoje se encoontra a casa da Angelina do Rabão. "Junto ao Monumento".
Para o substituir, adquiriram uma Égua branca, cujo nome lhe passaram a chamar simplesmente Égua.
Havia um automóvel que era pertença do Doutor Armando que quando se suicidou, segundo o que se sabe, o motivo seria por saber que padecia de uma doênça grave e incurável, que terá deixado o carro ao seu Irmão Doutor Fernando.
Um belo dia o Doutor Fernando, deixou-o destravado e desengatado, e ele começou a andar sózainho, correu e conseguiu pará-lo, então teve este desabafo: como é possivel um homem ter mais força que quatro cavalos juntos, que seriam os cavalos que o motor do carro tinha.
Estes dados foram-me cedidos pelo Senhor Belinha, hoje com 85 anos.
Sentir a Natureza no ventre da Terra
Ramaldeiradas na Barra= Recordando Ferreira Soares
A Viola e o cravo vermelho eram referências de marca do Dr. Prata
A minha Homenagem e agrdecimento à Dona Clementina Cadinha, viúva dos saudoso Ti Ferreira donos da conhecida e popular Loja da Vaca, situada no Maçarico.
Por meados de Setembro, dirgi-me a casa dela para lhe pedir, se estava disposta a dizer-me o que sabia respeitante ao doutor Prata e de sua irmã, se estava disposta a fornecer-me esses dados e se os podia públicar.
Prontamente se disponibilizou e num ápice foi buscar um papel, onde tinha os versos da Japoneira e que guardava divinamente, desde 1942, data em que o Ferreira Soares foi assassinado, e que segundo ela os cantou milhares e milhares de vezes, e que na altura, ainda me os cantarolou, mantinha uma vóssuave e limpa, ainda com óprtimos acordaos, percebia-se que estava perante alguém, que teria dado gosto ter ouvido cantar, ainda a testá-lo, quando disse que tinha feito parte do coro da Igreja.
Numa outra parte falarei, e darei a conhecer tudo o que ela me contou, a sua ligação ao Doutor, sua Irmã Ernestinha e familia Ferreira Soares.
Tinham-me dito que se encontrava muito debilitada e que a Doênça lhe tinha provocado a perda de memória, desloquei-me lá e infelizmente confrma-se, entresteceu-me , porque já não lerá o que lhe prometi escrever, mas pelo interesse que tem, e porque se trata de documento histórico estou a publicá-lo, uma forma de lhe prestar a minha homenagem e agradecimento,ainda em vida. Se não o vier a conseguir lêr, fica aqui a intênção e o propósito, já que a perda de memória causada pela Doênça, a sua recuperação, tudo o indica não será possivel.
Pela disponibilidade, o amor e a saudade, que nutria pelo Doutor fica aqui expressa, mais reforçada, porque a Senhora acreditava em outro Partido que não o do Doutor.
Como tal o seu testemunho transmite ainda mais os seus nobres sentimentos.
Obrigada
Dona Clementina.
JAPONEIRA
I
Japoneira, Japoneira
Do cemitério de Nogueira
São meigas tuas folhinhas
Estás caladinha e não ralhas
Debaixo dessas ranquinhas!
II
Ó japoneira querida
Por todos és conhecida
É tão triste a tua ausência
Tu, japoneira com dores
Vais deitando tuas flores
Em cima da inteligência!
III
Os teu botões cor de oiro
Quis ter aos pés teu tesouro
E que abrace rico e pobre
E tu, linda japoneira
Vais com raízes à beira
Do berço da alma nobre!
IV
Morre o rico, morre o pobre
Morre o berço da alma nobre
O morrer é uma carreira
Morre o homem da ciência
Morre a grande inteligência
Morres também, japoneira
V
Ó raíz que vai andando
Por esa terra mimando
Quero tocar com pontinhas
Faz-me um favor que eu
Te peço a esse amigo que
Conheço dá-lhe sdaudades minhas
VI
Morreu essa inteligência.
Mas tende paciência não
Deixes de vir a Nogueira
Todo o coração contrito quanto
Te vires aflito ide ao pé
Da Japoneira
VII
Ó raparigas casadas
Que vos encontrais magoadas
O coração em pedaços Lembrai-vos dessas mãezinhas
Tantas mães e criancinhas
Foram salvas nesses braços
N. Regedoura
Julho de 1942
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Navios, Marés e Marinheiros
Foi uma honra enorme servir-te Briosa
Honro-me de ser o primeiro
Os Marinheiros Aventureiros, são sempre os Primeiros na Terra e no Mar
Posso ser acusado de muita coisa, até voltar a ser julgado pelo que fiz de bom, menos bom , mau,ou até péssimo, mas pelo que fiz e em muitos casos não fíz, paguei facturas com preços altamente elevados, voltaria a pagá-los, se fosse caso disso, mas nunca posso ser acusado, por em tempo algum, ter deixado de assumir totalamente as minhas responsabilidades, e ligar tudo ao que digo e o que faço.
Como em tudo o que fiz na vida, dei muito pouco, se comparado com o muito que recebi, talvez porque para mim, as coisas pequenas, tornam-se enormissimas, porque as avalio pelo sentimento, e não pela sua grandeza ou valores materias. Talvez por issso seja enormemente feliz.
Nesta terra, que por direito próprio também lhe chamo minha, como a outras em que vivi, e deixei lá a minha marca, pela forma como pauto a minha intervênção,mas ainda pela maneira interventiva que optei, por convicções e formas de estar na vida.
Neste caso, nem é muito importante como cheguei até aqui, mas importante é que quando cá cheguei, comecei a incrementar amizades e não havia Marinheiros, quando começaram a fazer alusões a Marinheiros, eu era espécie única.
Seguiram-se outros, alguns dos quais por conhecer-me e pelas conversas que mantinha, e os esclarecimetos no que toca o que era a Marinha e o que representava.
Tinha sido habituado nas minhas aldeias, a vários apelidos, e o curioso, é que nunca o de Ferreira, que era o que já vinha dos meus avós e visa vós, os meus Irmãos esses sim e ainda hoje assim continua a ser.
Comecei a ser tratado pelo Marinheiro, e ninguém se importava nem importa com o meu nome; "O Marinheiro" tudo dito, isso incentivou-me tão fortemente, que muito cedo, eu próprio comecei a assinar-me com a alcunha de Valdemar Marinheiro. Fala a sabedoria popular e essa nunca se engana, juntava-se a fome á vontade de comer.
Certo que há uns anos tenho uma ligação muito forte ao rio,"como aliás sempre tive", mas não consigo nem quero, estar muito tempo, sem dar uma volta e estar próximo do mar, reavivar testemunhos do passado maritimo, e alimentar sonhos no presente.
Faz-me bem!... O meu mar, sabe presentear-me, e trasmite-me mensagens com essa sensibilidade de um sonho que um dia eu realizei.
Guardo as minhas Fardas, seguramente com maoir zelo, cuido melhor delas, que do meu estado de saúde, é um amor tão forte que só quem o sente, o pode avaliar.
Desejo, que um dia voltemos a ter a fonte de riqueza de outrora, onde a Marinha e os Marinheiros traziam para o nosso país, certo que trouxeram, coisas menos boas, ou más, mas traziam também muito riqueza em quantidades, de coisas boas, e muito boas.
Hoje infelizmente temos um mar, mas não deixam que dele possamos tirar proveito, tudo o que de bom ele tem para nos oferecer em nome de um interesses duvidosos nos proibem em limitam criando condições para que não se possa exercer tal profissão.
Um País que não aproveite as suas riquezas tem seguramente o seu futuro comprometido. até lá vamos acreditar que a Marinha e os Marinheiros um dia irão voltar ao mar, de onde nunca deveriam terem sido obrigados a abnadonar.
Testemunho de um Marnheiro
Acalentando a crença de dias melhores, enquanto não chegam, vou desfrutando desta felicidade única de um dia ter sido Marinheiro e ter feito parte dessa maravilhosa Armada. A todos quantos a serviarm a melhor sorte do Mundo, e com é evidente aos outros também.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Junta de Freguesia de Nogueira da Regedoura = Doutores Prata e Eduardo Ricou
Doutor Alvaro Cunhal no Assassinato do Doutor Carlos Ferreira Soares Ano de 1992
Só se morre, quando se deixa de estar no coração de alguém.
Um E-Mail chegado até mim de uma descendente directa do Senhor Doutor Eduardo Ricou, personalidade com noventa anos, sendo natural da praia da Granja S. Félix da Marinha, Vila Nova de Gaia, mas a residir em França, seguendo depreendo.
Foi com enorme satisfação que recebi a sua resposta ao meu Mail Senhor Valdemar..
Não soube o favor que me prestou em me ter repondido tão rápidamente ao que lhe pedi concretamente, se o Doutor Alvaro Cunhal esteve em vida em Nogueira da Regedoura em Romaagem ao Doutor Carlos Ferreira Soares e na qual lhe confirmei que esteve aquando da romagem dos cinquenta anos que decorria sobre o seu assassinato, 1992. Sendo que Alvaro Cunhal era responsável aqui no Norte onde Ferreira Soares pertencia em militância Comunista.
A razão, é que meu Pai hoje com noventa anos, tendo escrito em livro as suas memórias e saudade de um médico em África, pois ele era médico leprologo, e foi mandado para Angola em mil novecentos e quarenta e nove, fala do dr. Prata Soares com muito carinho e dizendo que o conhecera quando ainda estava a estudar medicina no Porto. Parece que o Dr. Prata Soares o ajudou (ao meu pai). E ele conta no livro que o Dr. Prata Soares, um grande democrata e amigo do povo. foi cruelmente assassinado pela PIDE em 1942. Este médico influenciou bastante o meu pai na parte humana e social:
Ele conta também no livro, que o Dr. Alvaro Cunhal iria em Romagem ao cemitério de Nogueira da Regedoura, prestar homenagem a este grande homem que foi Dr. Prata Soares.
Até tenciono comprar o livro sobre a vida dele para o oferecer ao meu pai.
Será um presente marvilhoso para ele.
Eu até adoraria falar consigo ao telefone.
Se tiver detalhes que efectivamente ele foi assassinado cobardemente por agentes da PIDE, imensamente grata lhe ficaria.
A Inveja é uma coisa muito feia e a calúnia também.
Eu posso ligar-lhe por telefone.
Aguardo as suas notícias impacientemente.
Eduarda Ricou
Nota:
Pois Amiga, não tem nada que me agradecer e vamos continuar a desenvolver o contacto.
Vou ficar ansioso por receber o livro que o seu pai publicou e para isso conto com a sua colaboração, e quanto ao que respeita ao de Ferreira Soares, Crime de Salazar, posso assegurar -lhe que depois de ter o seu endereço, lhe o vou enviar autografado pelo Autor. Bem Haja
Quando se é bom e justo a memória não deixa que se apague, é salutar esta prova de que já leva cerca de setenta anos e perdura na memória do Dr. Ricou e que fez jus em prestar esse reconhecimento à memória do Doutor Carlos seu amigo, e que só por mero acaso e graças à Internet se tornou possivel o estabelecimento deste elo de ligação depois de ter já estabelecido contactos entre amigos e familaires nas quatro partes do mundo, fico imensamente feliz por mais esta a que muito me liga.
O Secretário Geral do Partido Comunista Português na Romagem ao Camarada Dr. Prata
Amizades que perduram = Doutores Prata e Eduardo Ricou 70 anos depoisSó se morre, quando se deixa de estar no coração de alguém.
Um E-Mail chegado até mim de uma descendente directa do Senhor Doutor Eduardo Ricou, personalidade com noventa anos, sendo natural da praia da Granja S. Félix da Marinha, Vila Nova de Gaia, mas a residir em França, seguendo depreendo.
Foi com enorme satisfação que recebi a sua resposta ao meu Mail Senhor Valdemar..
Não soube o favor que me prestou em me ter repondido tão rápidamente ao que lhe pedi concretamente, se o Doutor Alvaro Cunhal esteve em vida em Nogueira da Regedoura em Romaagem ao Doutor Carlos Ferreira Soares e na qual lhe confirmei que esteve aquando da romagem dos cinquenta anos que decorria sobre o seu assassinato, 1992. Sendo que Alvaro Cunhal era responsável aqui no Norte onde Ferreira Soares pertencia em militância Comunista.
A razão, é que meu Pai hoje com noventa anos, tendo escrito em livro as suas memórias e saudade de um médico em África, pois ele era médico leprologo, e foi mandado para Angola em mil novecentos e quarenta e nove, fala do dr. Prata Soares com muito carinho e dizendo que o conhecera quando ainda estava a estudar medicina no Porto. Parece que o Dr. Prata Soares o ajudou (ao meu pai). E ele conta no livro que o Dr. Prata Soares, um grande democrata e amigo do povo. foi cruelmente assassinado pela PIDE em 1942. Este médico influenciou bastante o meu pai na parte humana e social:
Ele conta também no livro, que o Dr. Alvaro Cunhal iria em Romagem ao cemitério de Nogueira da Regedoura, prestar homenagem a este grande homem que foi Dr. Prata Soares.
Até tenciono comprar o livro sobre a vida dele para o oferecer ao meu pai.
Será um presente marvilhoso para ele.
Eu até adoraria falar consigo ao telefone.
Se tiver detalhes que efectivamente ele foi assassinado cobardemente por agentes da PIDE, imensamente grata lhe ficaria.
A Inveja é uma coisa muito feia e a calúnia também.
Eu posso ligar-lhe por telefone.
Aguardo as suas notícias impacientemente.
Eduarda Ricou
Nota:
Pois Amiga, não tem nada que me agradecer e vamos continuar a desenvolver o contacto.
Vou ficar ansioso por receber o livro que o seu pai publicou e para isso conto com a sua colaboração, e quanto ao que respeita ao de Ferreira Soares, Crime de Salazar, posso assegurar -lhe que depois de ter o seu endereço, lhe o vou enviar autografado pelo Autor. Bem Haja
Quando se é bom e justo a memória não deixa que se apague, é salutar esta prova de que já leva cerca de setenta anos e perdura na memória do Dr. Ricou e que fez jus em prestar esse reconhecimento à memória do Doutor Carlos seu amigo, e que só por mero acaso e graças à Internet se tornou possivel o estabelecimento deste elo de ligação depois de ter já estabelecido contactos entre amigos e familaires nas quatro partes do mundo, fico imensamente feliz por mais esta a que muito me liga.
Crueldade = Junta de Freguesia de Nogueira da Regedoura Carta d´um Pai =Parte I
Carta de um velho Pai amargurado em Nogueira da Regedoura
Meu filho António Carlos estava no consultório com sua bata abotoada e cintada e com essa bata assim cintada foi levado pela Policia de Vigilância para a Casa de Saúde de Espinho, onde entrou morto, e com essa bata, e nesse estado, foi encontrada pelo juis delegado e escrivão no cemitério de Espinho - para autópsia.
Assim, autopsiado voltou a casa.
Eu não pude ir receber-lhe o cadáver: ainda tenho um filho e uma filha.....
No consultório, dizia eu, se sentara o meu filho e começava a auscultar uma doente...da polícia, quando o sujeito (a) acompanhava, e deixara outros dois fora, empunhou numa das mãos uma pistola-metralhadora e crivou de balas o meu menino-uma através do tórax (só podia ser desfechada sobre quem estivesse sentado) perfurando o baço; outras no ventre, outra ou outras numa perna. Meu filho, sem poder defender-se, conseguiu ainda sair do consultório mas caiu a poucos passos. Minha filha acorreu-forte na sua crença religiosa, que nenhum dos dois irmãos nem eu possuíamos (,) e desprezando a morte, abeirou-se do irmão e disse-lhe: "agora, Carlos, apesar da tua descrença, pensa em Jesus". Ele respondeu-lhe sorrindo - "com aqueles olhos bons do Carlos, já a enevoar-se" - friza ela- "e disse ele: perdoa: eu vou morrer: este é um louco...
Ela ainda se debruçou para o ferido com uma toalha molhada para humedecer os beiços, já brancos do irmão, quando a besta- fera entra a esfuriar. Ela, tão pequenina, coitadinha, ergueu-se deante do criaturo e disse-lhe"Calme-se snr., isso é um minuto". Mas de fora veio-lhe um tiro através do vidro da janela, passou-lhe rente mas não lhe acertou. Não a deixaram acompanhar o irmão moribundo.
Este não soube que estava nas mãos da polícia, digo,não sei de quem... Vejo quai todos os dias e ouço sem cerimónias este brado aos portugueses: "QQuem manda?" - e respondem 3 vezes um nome que não é o chefe do Estado. Mas será esse aquele a cujas mãos morreu meu filho? Crei que é mais uma besta-fera singular, uma fantasmática figura, concrecão de sombras abominável.
Andam as autoridades administrativas e judiciais a preparar um processo! Não entro nisso; não vejo as chamadas bestas-feras subalternas: não são como os cães esfuriando contra as pedras. E não é um caso esporádico.
Quem o escreveu:-
» António Ferreira Soares, Pai , autor do romance Casa Abatida que dedicou à memória de seu filho Doutor Prata- Cuja morte narrou na carta acima transcrita ao Dr. Câmara Reis, então director da Revista «Seara Nova» Recebi em Nogueira da Regedoura, seu telegrama que muito agradeço - a V. Exa. e aos da "Seara". Mas, como em muitos telegramas e cartas, vejo que não foram entrevistos os factos, aliás pouco percebíveis nas poucas linhas toleradas pela Censura (Numa, pergunta-se-me "se foi uma rapaziada"!!!, vejo-me obrigado a dizer por alto, a 3 oou 4 amigos ou do meu Carlinhos, como se passou a abominável tragédia: faço-o com o custo que V. Exa. imagina num velho de 72 anos, coração cansadissimo de pulsar na dôr, sobretudo depois da anterior tragedia - a do meu filhinho Armando.
Meu filho António Carlos estava no consultório com sua bata abotoada e cintada e com essa bata assim cintada foi levado pela Policia de Vigilância para a Casa de Saúde de Espinho, onde entrou morto, e com essa bata, e nesse estado, foi encontrada pelo juis delegado e escrivão no cemitério de Espinho - para autópsia.
Assim, autopsiado voltou a casa.
Eu não pude ir receber-lhe o cadáver: ainda tenho um filho e uma filha.....
No consultório, dizia eu, se sentara o meu filho e começava a auscultar uma doente...da polícia, quando o sujeito (a) acompanhava, e deixara outros dois fora, empunhou numa das mãos uma pistola-metralhadora e crivou de balas o meu menino-uma através do tórax (só podia ser desfechada sobre quem estivesse sentado) perfurando o baço; outras no ventre, outra ou outras numa perna. Meu filho, sem poder defender-se, conseguiu ainda sair do consultório mas caiu a poucos passos. Minha filha acorreu-forte na sua crença religiosa, que nenhum dos dois irmãos nem eu possuíamos (,) e desprezando a morte, abeirou-se do irmão e disse-lhe: "agora, Carlos, apesar da tua descrença, pensa em Jesus". Ele respondeu-lhe sorrindo - "com aqueles olhos bons do Carlos, já a enevoar-se" - friza ela- "e disse ele: perdoa: eu vou morrer: este é um louco...
Ela ainda se debruçou para o ferido com uma toalha molhada para humedecer os beiços, já brancos do irmão, quando a besta- fera entra a esfuriar. Ela, tão pequenina, coitadinha, ergueu-se deante do criaturo e disse-lhe"Calme-se snr., isso é um minuto". Mas de fora veio-lhe um tiro através do vidro da janela, passou-lhe rente mas não lhe acertou. Não a deixaram acompanhar o irmão moribundo.
Este não soube que estava nas mãos da polícia, digo,não sei de quem... Vejo quai todos os dias e ouço sem cerimónias este brado aos portugueses: "QQuem manda?" - e respondem 3 vezes um nome que não é o chefe do Estado. Mas será esse aquele a cujas mãos morreu meu filho? Crei que é mais uma besta-fera singular, uma fantasmática figura, concrecão de sombras abominável.
Andam as autoridades administrativas e judiciais a preparar um processo! Não entro nisso; não vejo as chamadas bestas-feras subalternas: não são como os cães esfuriando contra as pedras. E não é um caso esporádico.
Quem o escreveu:-
» António Ferreira Soares, Pai , autor do romance Casa Abatida que dedicou à memória de seu filho Doutor Prata- Cuja morte narrou na carta acima transcrita ao Dr. Câmara Reis, então director da Revista «Seara Nova» Recebi em Nogueira da Regedoura, seu telegrama que muito agradeço - a V. Exa. e aos da "Seara". Mas, como em muitos telegramas e cartas, vejo que não foram entrevistos os factos, aliás pouco percebíveis nas poucas linhas toleradas pela Censura (Numa, pergunta-se-me "se foi uma rapaziada"!!!, vejo-me obrigado a dizer por alto, a 3 oou 4 amigos ou do meu Carlinhos, como se passou a abominável tragédia: faço-o com o custo que V. Exa. imagina num velho de 72 anos, coração cansadissimo de pulsar na dôr, sobretudo depois da anterior tragedia - a do meu filhinho Armando.
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