segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Junta de Freguesia de Nogueira da Regedoura = Doutores Prata e Eduardo Ricou

Doutor Alvaro Cunhal no Assassinato do Doutor Carlos Ferreira Soares  Ano de 1992



O Secretário Geral do Partido Comunista Português na Romagem  ao Camarada Dr. Prata
Amizades que perduram = Doutores Prata e Eduardo Ricou  70 anos depois
Só se morre, quando se deixa de estar no coração de alguém.
     Um E-Mail  chegado até mim de uma descendente directa do Senhor Doutor Eduardo Ricou, personalidade com noventa anos, sendo natural da praia da Granja S. Félix da Marinha, Vila  Nova de Gaia, mas a residir em França, seguendo depreendo.
     Foi com enorme satisfação que recebi a sua resposta  ao meu Mail Senhor Valdemar..
    Não soube  o favor que me prestou em me ter repondido tão rápidamente ao que lhe pedi concretamente, se o Doutor Alvaro Cunhal esteve em vida em Nogueira da Regedoura em Romaagem ao Doutor Carlos Ferreira Soares e na qual lhe confirmei que esteve aquando  da romagem dos cinquenta anos que decorria sobre o seu assassinato, 1992. Sendo que Alvaro Cunhal era responsável aqui no Norte onde Ferreira Soares pertencia em militância Comunista.
A razão, é que meu Pai hoje com noventa anos, tendo escrito em livro as suas memórias e saudade de um médico em África, pois ele era médico leprologo, e foi mandado para Angola em mil novecentos e quarenta e nove, fala do dr. Prata Soares com muito carinho e dizendo que o conhecera quando ainda estava a estudar medicina no Porto. Parece que o Dr. Prata Soares o ajudou (ao meu pai). E ele conta no livro que o Dr. Prata Soares, um grande democrata e amigo do povo. foi cruelmente assassinado pela PIDE em 1942. Este médico  influenciou bastante o meu pai na parte humana e social:
     Ele conta também no livro, que o Dr. Alvaro Cunhal iria em Romagem ao cemitério de Nogueira da Regedoura, prestar homenagem a este grande homem que foi Dr. Prata Soares.
      Até tenciono comprar o livro sobre a vida dele para o oferecer ao meu pai.
     Será um presente marvilhoso para ele.
    Eu até adoraria  falar consigo ao telefone.
    Se tiver detalhes que efectivamente ele foi assassinado cobardemente por agentes da PIDE, imensamente grata lhe ficaria.
   A Inveja é uma coisa muito feia e a calúnia também.
   Eu posso ligar-lhe por telefone.
   Aguardo as suas notícias impacientemente.
   Eduarda Ricou
 Nota:
          Pois Amiga, não tem nada que me agradecer e vamos continuar a desenvolver o contacto.
          Vou ficar ansioso por receber o livro que o seu pai publicou e para isso conto com a sua colaboração, e quanto ao que respeita ao de Ferreira Soares,  Crime de Salazar, posso assegurar -lhe que depois de ter o seu endereço, lhe o vou enviar autografado pelo Autor. Bem Haja
 Quando se é bom e justo a memória não deixa que se apague, é salutar esta prova de que já leva cerca de setenta anos e perdura na memória do Dr. Ricou e que fez jus em prestar esse reconhecimento à memória do Doutor Carlos seu amigo, e que só por mero acaso e graças à Internet se tornou possivel o estabelecimento deste elo de ligação depois de ter já estabelecido contactos entre amigos e familaires nas quatro partes do mundo, fico imensamente feliz por mais esta a que muito me liga.

Crueldade = Junta de Freguesia de Nogueira da Regedoura Carta d´um Pai =Parte I

Carta de um velho Pai amargurado em Nogueira da Regedoura
Meu filho António Carlos estava no consultório com sua bata abotoada e cintada e com essa bata assim cintada foi levado pela Policia de Vigilância para a Casa de Saúde de Espinho, onde entrou morto, e com essa bata, e nesse estado, foi encontrada pelo juis delegado e escrivão no cemitério de Espinho - para autópsia.
     Assim, autopsiado voltou a casa.
     Eu não pude ir receber-lhe o cadáver: ainda tenho um filho e uma filha.....
        No consultório,  dizia eu, se sentara o meu filho e começava a auscultar uma doente...da polícia, quando o sujeito (a) acompanhava, e deixara outros dois fora, empunhou numa das mãos uma pistola-metralhadora e crivou de balas o meu menino-uma através do tórax (só podia ser  desfechada sobre quem estivesse sentado) perfurando o baço; outras no ventre, outra ou outras numa perna. Meu filho, sem poder defender-se, conseguiu ainda sair do consultório mas caiu a poucos passos. Minha filha acorreu-forte na sua crença religiosa, que nenhum dos dois irmãos nem eu possuíamos (,) e desprezando a morte, abeirou-se do irmão e disse-lhe: "agora, Carlos, apesar da tua descrença, pensa em Jesus". Ele respondeu-lhe sorrindo - "com aqueles olhos bons do Carlos, já a enevoar-se" - friza ela- "e disse ele: perdoa: eu vou morrer: este é um louco...
     Ela ainda se debruçou para o ferido com uma toalha molhada para humedecer os beiços, já brancos do irmão, quando a besta- fera entra a esfuriar. Ela, tão pequenina, coitadinha, ergueu-se deante do criaturo e disse-lhe"Calme-se snr., isso é um minuto". Mas de fora veio-lhe um tiro através do vidro da janela, passou-lhe rente mas não lhe acertou. Não a deixaram acompanhar o irmão moribundo.
Este não soube que estava nas mãos da polícia, digo,não sei de quem... Vejo quai todos os dias e ouço sem cerimónias este brado aos portugueses: "QQuem manda?" - e respondem 3 vezes um nome que não é o chefe do Estado. Mas será esse aquele a cujas mãos morreu meu filho? Crei que é mais uma besta-fera singular, uma fantasmática figura, concrecão de sombras abominável.
     Andam as autoridades administrativas e judiciais a preparar um processo! Não entro nisso; não vejo as chamadas bestas-feras subalternas: não são como os cães esfuriando contra as pedras. E não é um caso esporádico.
     Quem o escreveu:-
   » António Ferreira Soares, Pai , autor do romance Casa Abatida que dedicou à memória de seu filho Doutor Prata- Cuja morte narrou na carta acima transcrita ao Dr. Câmara Reis, então director da Revista «Seara Nova» Recebi em Nogueira da Regedoura, seu telegrama que muito agradeço - a V. Exa. e aos da "Seara". Mas, como em muitos telegramas e cartas, vejo que não foram entrevistos os factos, aliás pouco percebíveis nas poucas linhas toleradas pela Censura (Numa, pergunta-se-me "se foi uma rapaziada"!!!, vejo-me obrigado a dizer por alto, a 3 oou 4 amigos ou do meu Carlinhos, como se passou a abominável tragédia: faço-o com o custo que V. Exa. imagina num velho de 72 anos, coração cansadissimo de pulsar na dôr, sobretudo depois da anterior tragedia - a do meu filhinho Armando.

Vil Assassinato- Uma àrvore à Beira do Caminho = Nogueira da Regedoura Parte II

«Perto de Espinho havia uma árvore
havia uma árvore à beira do caminho
E havia um buraco naquela árvore
perto de Espinho.

(E o povo sabia que havia um buraco
naquela árvore à beira do caminho.)

Mas quando vieram os embuçados
à procura dum médico em terras de Espinho
o povo calou-se não disse nada.
(E o povo sabia que havia um médico
naquela árvore à beira do caminho.)

Esta é uma história que todos sabem
em terras de Espinho.
Esta é história duma árvore
à beira do caminho

Era noite cerrada noite negra
era noite de morte no caminho.
E de repente chegaram os embuçados:
procuravam um médico em terras de espinho.

Era noite sem lua noite de emboscada
noite de um homem não andar sózinho.
Por isso o povo não disse nada:
era noite de embuçados no caminho.

Disseram ao povo que havia um ferido.
Mostraram as mãos: seria sangue? seria vinho
E ninguém foi chamar o médico escondido
naquela árvore á beira do caminho.

Era noite sem lua noite de sangue
era noite de esperas no caminho
Embuçados chegaram. Embuçados partiram
Procuram um médico em terras de Espinho

Já corre um mensageiro para aquela árvore
à beira do caminho
Há embuçados. falaram dum ferido
Mas o sangue que vimos era vinho

Já o médico sai do seu buraco
naquela árvore à beira do caminho.
(Ai a noite sem lua
aí o sangue tem a cor do vinho)

Catorze balas o esperavam
catorze balas o mataram nessa manhã em Espinho
as mãos do povo vinham florir
aquela árvore à beira do caminho.

Mas todos os anos na mesma manhã
em que o sangue correr nessa aldeia de Espinho
as mãos do povo vinham florir
aquela árvore à beira do caminho.

Mas no dia seguinte no mesmo dia
em que havia uma árvore (perto de Espinho)
as mãos do povo vieram plantar
outra árvore  à beira do caminho.

De quando em quando voltam os embuçados
e cortam a árvore do povo de Espinho.
Mas há sempre alguém para plantar
outra árvore à beira do caminho.»

Nota:
      Esclarecimentos adicionais:

  1- Veja o muito no que respeita a Ferreira Soares e que está no Blogue Terras Rio e Mar

  2- O assassinato ocorreu de manhã aí a correcção

  3- A árvore, é a Japoneira onde Ferreira se escondia dentro do Cemitério de Nogueira

  4- Foi mandada cortar e foi lá colocada outra e que o padre de então e  Presidente da Junta o Lima a mandaram cortar.

   5- Colocada  outra em 1975 por Democratas de N. Regedoura e cortaram-na

   6- Foi lá colocada a que lá se encontra, paga a compra da japoneira e sua plantação e que         durante muitos anos a sua conservação  foi paga pelos comunistas locais e quem a plantou está sepultado ao lado direito o Agostinho Ferreira.

   7- Um acto louvável e que sempre deveria ter acontecido, de há doze anos a esta parte, o actual executivo assumiu a responsabilidade do tratamento e limpeza da citada Japoneira, dentro do cemitério e colocou uma outra no Monumento de Homenagem que mandou  construir`. 

Parte III

domingo, 17 de janeiro de 2010

Junta de Freguesia de Nogueira da Regedoura= No Céu até os Santos Sabem

Um Crime Impune
Foi no dia 4 de Julho de 1942 que passou a figurar no calendário dos crimes fascistas, como a data em que foi assassinado mais um resistente à ditadura, cuja recordação ainda está marcada na memória dos habitantes de Nogueira da Regedoura e dos Concelhos de Vila Nova de Gaia, Espinho e Santa Maria da Feira. Os esbirros António Roquete, Laranjeira e Roquete, fizeram-se acompanhar de uma falsa doente.
     Foram avisar o Doutor  que prontamente se deslocou ao seu consultório. Já com a bata vestida, ali tinham à sua frente o destacado militante comunista, a quem nunca antes tinham  conseguido deitar a mão, porque sempre encontrava um refúgio algures. Foi assim que uma brigada da Policia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) não encontrou melhor meio para prender o Dr. Carlos, sempre pronto a cuidar dos doentes que o procuravam.
     Em carta dirigida a Câmara Reys em Setembro de 1936 afirmava: "Rumei à esquerda... para mais perto do possivel convivío e organização das massas populares"apaixonadamente com os problemas quotidianos de cada ser humano, integrando-se na conjuntura politíca e social nomeadamente dos mais pobres e desprotegidos! Ergida pela ternura de cada mão calejada!
     Perseguido por causa das suas convicções politícas e ediológicas, teve que remeter-se a uma clandestinidade de 6 anos em que romantismo da solidariedade popular se sobrepôs ao medo que circulava nas veias de  país ocupado pelo capital acumulado nas sacristias e nas esquadras. Era o povo de Nogueira da Regedoura, e de freguesias  vizinhas que disparava os alertas quando gente suspeita por aí era vista.
    Era o povo de Nogueira da Regedoura que o médico ía encontrar guarida nas noites em que era perigoso  dormir em casa. Dava dinheiro aos pobres que consultava para que comprassem os medicamentos que lhe receitava! Não porque acreditasse na caridade: Mas porquqe a justiça tardava. E ele tinha pressa na vida. De cada um e de todos. Tempos decorridos, seu pai, António Ferreira Soares, de 72 anos, enviou uma carta a Luis Câmara Reys director da "Seara Nova" no seu consultório começava a auscultar uma doente... da polícia politíca que era acompanhado de outros que empunhando uma pistola-metralhadora, crivou de balas o meu menino! Minha filha Inês Ferreira Soares- A Madrinha como lhe chamavam, acorreu com sua crença religiosa, depressa  a morte, abeirou-se do irmão e disse-lhe: "Agora Carlos, apesar da tua descrença, pensa em Jesus". Ele respondeu sorrindo, com aqueles olhos bons do Carlos já a enevoar-se dizendo-lhe perdoa eu vou morrer: este é um louco. Tombou o corpo do médico comunista; tombaram muitas esperanças de muitos pobres, tombaram muitas lágrimas de raiva e dor.
Enviado por Amaro Francisco membro da Comissão de Freguesia do P.C.P. Nogueira da Regedoura  e publicado no Jornal Terras da Feira  e pelo Jornal Noticias de Paços de Brandão no ano de 1995

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

DITADURA FASCISTA =Junta de Freguesia de Nogueira da Regedoura

 Vou Idolatrar-te  =
A Arma mais mortifera de todas as Armas
     Longe vão os tempos em que os ditos senhores auto-convencidos que a sabedoria e a verdade única seria aquela que eles quizesssem tornar pública. Os ppoobres Zés, limitavam-se  a lerem-na e era se quizessem ter algum tempo de leitura, que mesmo sabndo-se que o que era tornado público e a forma como era abordados os temas em questão, serviam e só para na sua grandissima maioria valorizar o seu autor.
Hoje infelizmente esses mesmos senhores sofrendo dessa doênça que nunca curaram, ou porque não conseguiram, ou então por não se terem apercebido que o mundo mudou  e que nessa mudança se encontra a Internet, que eles os Senhores tais apoiaram, mas que hoje por muito que os faça sofrer nao controla.
     Felizmente que a Net, veio a exigir dos senhores da Comunicação Social a divulgação de pessoas que até há pouco tempo tempo atrás era impensável, fosse opinião politíca de Guerra ou Religiosa, entre outras.
     Certo que ainda hoje quando com grande esforço económico compramos o Jornal, lá aparecem os Senhores tais a ocuparem duas páginis simples e únicamente com o propósito de publicitar livros que eles próprios editam, mas certamente não os compram, bem como a tentar justificar o injustificável.
     Somos uma Nação de Terra boa, onde várias sementes fracas poliferaram, porque eram fortemente alimentada por incautos. Hoje esses incautos cada vez são muito menos e já consultam ambos os lados e apercebem-se do que é verdade, menos verdade ou mentira.
     Mas hoje felizmente deparamos que não são poucas as vezes que encontramos artigos dos chamados pés descalço publicados. Acredido convitamente que isto acada vez o seu número virá a ser maior.
    Num desses de todo o tempo de antena ontem Domingo 10de Janeiro de 2010 ao folhear as páginas deparo com uma entrevista com duas páginas, de um senhor dos muitos que eu ja tinha apagado da memória.
     Muito sinceramente foi tamanha a desilusão, que arrumei o Jornala, sem que o tivesses lido, pois quando deparei com o seu nome pensei que ele aproveitaria a  mesma para ter a coragem de dizer como e a quem serviu, e lamentar-se das injustiças que houveram e querer tapar o Sol com a Peneira, nos tempos que correm já não dá.
     Mas como dizia arrumei o Jornal, mas passei uma noite tão mal dormida, pois lembrou-me o que de mau foi aquele 25 de Novembro e porque não falam nele o Senhor se sente injustiçado (que vitima?). e hoje muito cedo me dirigi à Livraria para comprar um novo Jornal e falar da dor na alma e do sacrifício que trouxe essas perseguições que ele entre linhas admite e que se calhar sabe-se lá porquê apenas e só refere o Almirante Rosa Coutinho: Como terá ficado incomodado o Senhor Almirante ao ver o seu nome referênciado.
   Um Homem com um H muito grande que eu tive o privilégio de estar com ele em vários locais, inclusivé Moçambique..
    O Assunto continua
m

domingo, 10 de janeiro de 2010

Crueldade Fascista =Junta Freguesia Nogueira da Regedoura - Doutor A. Carlos Ferreira Soares.

1931
O estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;
1932
Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos; Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura; Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;

1934, 18 de Janeiro
Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura; Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em consequência da repressão da greve; Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada; a PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal

1935
Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);

1936
Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado do 18 de Janeiro de 1934; Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;

1937
Ernesto Faustino, operário; José Lopes, operário anarquista, morre durante a tortura, sendo um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao atentado a Salazar; Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no forte de Caxias; Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira, marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja, marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal, vítimas das febres e dos maus tratos; Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE) durante a tortura ; Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres e dos maus tratos;

1938
António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca; Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis agentes da Pide durante oito horas; Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do Tarrafal, vítima de maus tratos; Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da PIDE; Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia sem assistência médica;

1939
Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;

1940
Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos; Albino Coelho, morre também no Tarrafal; Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no Tarrafal;

1941
Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no Tarrafal;

1942
Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal; Doutor António  Carlos Carvalho Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório em Nogueira da Regedoura, com rajadas de metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!); Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal; Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal; Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação; António de Jesus Branco morre no Tarrafal;

1943
Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e Constantina, são mortos a tiro pela GNR; Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal; Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa; José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal; Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa; Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal; Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a tortura;

1944
  General José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado internamento hospitalar; Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade; Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal; assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.

1945
Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal; Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo; Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada de Bucelas; José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em consequência dos maus tratos na prisão;

1946
Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos de prisão e de deportação; Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após quinze meses de prisão;

1947
José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede da PIDE;

1948
António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a tortura; Artur de Oliveira morre no Tarrafal; Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de deportação; António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934, morre quase cego e após doença prolongada;

1950
Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;

1951
Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;

1954
Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;

1957
Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;

1958
José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;

1961
Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;

1962
António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;

1963
Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;

1964
Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;

1965
General Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;

1967
 Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, more vítima de tortura na PIDE;

1968
 Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;

1969
 Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;

1972
José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na “fuga-libertação” de Alcoentre, em Junho de 1975;

1973
 Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;

1974,
 25 de Abril
Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas. A PIDE acaba como começou, assassinando. Aqui não ficam contabilizadas as inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em outros locais de repressão.

Mais ainda
Podemos referir, duas centenas de homens, mulheres e crianças massacradas a tiro de canhão durante o bombardeamento da cidade do Porto, ordenada pelo coronel Passos e Sousa, na repressão da revolta de 3 de Fevereiro de 1927.
Dezenas de mortos na repressão da revolta de 7 de Fevereiro de 1927 em Lisboa, vários deles assassinados por um pelotão de fuzilamento, à ordens do capitão Jorge Botelho Moniz, no Jardim Zoológico.
Dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931.
Um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene.
Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos “Viriatos” na guerra civil de Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquistas.
Dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em Fevereiro de 1953. Muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais, vítimas do Exército, da PIDE, da OPVDC, dos “Flechas”, etc.

Vítimas da PIDE - De 1950 a 1974!

Não sou muito destas coisas, mas hoje passou-me pela frente dos olhos este documento e vou aproveitar a oportunidade para o deixar aqui «arquivado».

1950, Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade; José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular suicídio; Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura; Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Alpiarça;

1951, Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;

1954, Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma greve, grávida e com uma filha nos braços;

1957, Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após quinze dias de tortura; Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num cemitério do Porto; José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;

1958, José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR, durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores são feridos a tiro; Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a esposa do embaixador do Brasil;

1961, Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR durante uma manifestação em Almada; José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa numa rua de Lisboa;

1962, António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são assassinados a tiro pela GNR; Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a manifestação do 1º de Maio em Lisboa;

1963, Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;

1964, Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR; David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante uma manifestação em Lisboa;

1965, general Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos são assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente Casimiro Monteiro;

1967, Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, morre vítima de tortura na PIDE;

1968, Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;

1969, Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;

1972, José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;

1973, Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão;

1974, (dia 25 de Abril), Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de pessoas.